A Mãe do Autista

A Mãe do Autista
...Investi tudo naquele olhar...Tantas palavras num breve sursurrar...paixão assim não acontece todo dia!
Mostrando postagens com marcador Apae. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Apae. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Passeio



Quarta -feira passada, o Gui fez um passeio com Apae.
Elas haviam me ligado a 2 semanas antes, e eu prontamente disse que sim.Ele iria.

Mas qdo chegou a noite anterior ao passeio, bateu o arrependimento, afinal era os dois períodos, em um lugar estranho.

Não que ele não fique dois períodos longe de mim, pelo menos 2 x por semana fica; mas são em lugares que já fazem parte da rotina dele.



Eu chorei muito, bateu o desespero, e resolvi que ele não ia.Meu marido veio dizer que era egoísmo meu, que ele precisava conhecer coisas diferentes, etc.
Mas meu coração doía, afinal ele é tão pequeno.

Passado o choreiro, eu logo comecei a pensar, sim seria uma experiência para mim e para ele, afinal, gente é Apae, lidam a anos com crianças especiais de todo tipo, com certeza estaria muito mais protegido, do que se estivesse EU indo com ele, passar um dia inteiro num lugar estranho, pq eu já saberia como seria ia correr o tempo todo, querendo ir embora, etc, etc.E não ia dar conta.

Mesmo com o coração apertado, eu resolvi deixá-lo,fiquei com o telefone da professora dele claro,não resisti e liguei depois do almoço.
Ele estava feliz, brincou um monte, divertiu-se, comeu bem e ainda andou a cavalo!
Que segundo ela, ficou maravilhado fazendo carinho no animal.


Confesso, foi difícil sim, eu não imaginei que eu ia "amarelar"(rs), chorar, etc.E por pouco, por insegurança, medo, ia privando o meu filho de ter passado um dia tão feliz, feliz sim pq ele voltou encantado.E com certeza nunca lhe proporcionaria uma experiência dessa!

E ele passou muito bem longe de mim, foi e voltou com a mesma roupa, isso significa que usou banheiro e comeu direitinho.

Proteção em demasia não os faz crescer, ampliar sua vivência, somos do mundo né!

Mas confesso, foi difícil sim!!!!!!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Essa semana começou a APAE. Estamos em três meninos da idade do meu, e cada um de um jeitinho diferente. Nesse primeiro passo temos que ficar junto com eles.

No meu caso deixá-lo sentado é muito complicado, a porta fechada pior ainda, ele parece um leão enjaulado, e eu fico sentada atrás dele tentando mantê-lo sentado para fazer as atividades.

Ele chorou muito, esperneou, qdo consegui fugia e ficava deitado no colchão "autistando", aquele movimento que ele faz balançando o corpo de um lado pro outro.

Claro que a nossa presença desequilibrou os outros, "elementos novos" no ambiente. Olha gente é complicado da um desgaste emocional e físico na gente, porque contê-los com força sem machucar é uma arte, fora gritos e choro.

Ele em casa faz muitas vezes a terapia sem sair da sala, mas ali a situação era outra, teria que esperar a vez!

Esperar a vez sem sair do lugar, que dificuldade! Fazer a tarefa que não interessa tudo isso são etapas a serem vencidas. Elas dizem pela experiência que conseguimos, eu acredito na experiência!

Confesso que fiquei um tanto frustrada, porque ano passado quando participei do congresso havia falado com essa professora da APAE, ela falou nas atividades feitas.

Comentei que tinha ficado com vontade de colocá-lo la, com uma psicopedagoga que havia o conhecido na escola, e estava tbém nesse evento.
Falou que “ele não era menino de APAE, era muito inteligente, vivaz, que eu deveria trabalhar com ele isoladamente para puxar mais por ele, e resto como aprender a sentar essas coisas já fazia na escola".

Às vezes é preciso muita humildade e ser sincera com o que se apresenta em nossa frente, e realmente ele se desenvolveu muito é muito inteligente, mas esta apresentando um grande problema comportamental, ele esta amadurecendo e antes de ser autista é um menino de quase quatro anos, percebo que já entendeu os papéis de quem convive com ele, e começa medir forças, mostrando seu caráter.

Pra ter uma idéia, ele estava fazendo uma atividade de colocar palitos coloridos em copos correspondentes, colocava errado e olhava pra gente com cara de sem vergonha dando risadas tipo , "isso eu já sei , vou “avacalhar"!


Ai penso nas fugas da sala de aula, na recusa em fazer atividades que não lhe interessa, percebi que perdi tempo, já podia estar numa outra fase, e ao contrário que a psicopedagoga disse, ele não senta em sala (não permanece por muito tempo), não consegue se controlar.
Aqui em casa na terapia o faz, mas esta sozinho, não precisa dividir atenção e espaço, mas no coletivo como vai ser? Como trabalhar a inclusão num caso desse?


O não falar dele hoje é uma coisa que não me angustia agora, aos poucos percebo a comunicação se manifestando, mas o que mais me preocupa são os comportamentos inadequados, se não há controle não há vida social nem pra ele nem pra nós aqui!

Estou muito feliz por começar essa etapa na APAE, me senti segura, amparada e compreendida por compartilhar essa nova experiência com os pais ali presentes!